15 de março de 2010
Ontem foi o "Dia Nacional da Poesia"
Vinde! Comemoremos e alegremo-nos!
Por mais um ano em que podemos tê-la em nossa companhia.
Pois eis que lhe acometeu imensa agonia:
enfermidade qual médico algum cura
a têm tornada escura
e sem forma.
Celebrai a poesia
Pois eis que logo chegará seu fim
Doente ela está, sim,
Desde que jogaram
na bagunça do dia-a-dia.
11 de março de 2010
Devaneios Noturnos
É noite. Olho para minha janela em busca de respostas. Lágrimas em meus olhos teimam em aparecer, acanhadas, sem vontade. O vento da brisa bate em minha face, me acariciando. Talvez o primeiro carinho sincero que senti nos últimos dias.
É noite. O poste do outro lado da rua ilumina meu quarto, tornando o ambiente como a vida desse escritor. Penumbra. Imagens se formam na intersecção das cores, como aquelas que os psicólogos teimam em mostrar a seus pacientes. Como todo o resto, nada significa, até que um olho, uma alma, uma mente enxergue-a, transforme-a, dê-lhe um significado, um valor, amor.
É noite. Muitos dormem. Eu não.
Morpheus tem-me esquecido esses dias.23 de fevereiro de 2010
Lembro-me
Lembro-me da minha infância. Lembro-me da minha adolescência. Lembro-me do tempo em que não pensava com antecedência ou tinha prudência, seja com meus estudos, seja com minha saúde, seja com tudo mais que eu não me preocupava.
Lembro-me de quando escrevia, todo dia, sobre meus amores. Ah! Meus amores... Uma pena que este poeta tenha amado tanto, mesmo estando na incerteza de ter sido amado. De um lado, só, muitos amores o foram, e se foram.
Lembro-me das coisas que eu fiz, das que procrastinei. Mas feliz estou das minhas decisões, não seriam tão belas hoje se não as tivesse feito. Por elas guardo muito respeito.
"One day, some day, you'll miss me.
One day when I'm gone.
Adieu and so long."
Ok Go
4 de fevereiro de 2010
Palavras Selvagens
Um dia, após ler um poema meu, uma pessoa me falou que "queria ter a capacidade de domar as palavras" como eu.
Sinto em informar-lhe: não domo as palavras. Nunca domei e nunca domarei. Queria que as pessoas parassem de olhar para mim e acharem que o que está escrito tem alguma coisa a ver com minhas capacidades físicas (ou fisiológicas), que eu sou o dono das letras, das palavras, dos sons.
Não domo as palavras. Esse é um grande erro para quem escreve, sejam poemas ou sejam prosas, sejam poesias ou sejam crônicas. As palavras são selvagens, são toscas, são bárbaras, e assim devem permanecer.
Eu não sou mais que um tradutor, uma ferramenta, com o qual as palavras devem fluir a um meio em que possam ser conhecidas, lidas, ouvidas, sentidas. As palavras já existem, os sentimentos são conhecidos. Eu apenas seguro o lápis.