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22 de outubro de 2010

Me assustei...

Me assustei quando te vi.
Mas você não estava lá.
Quem era você?
Não sei.
Pois percebi que você nunca esteve.
E ainda assim,
peço, espero,
que esteja do meu lado.

23 de fevereiro de 2010

Lembro-me

Lembro-me da minha infância. Lembro-me da minha adolescência. Lembro-me do tempo em que não pensava com antecedência ou tinha prudência, seja com meus estudos, seja com minha saúde, seja com tudo mais que eu não me preocupava.

Lembro-me de quando escrevia, todo dia, sobre meus amores. Ah! Meus amores... Uma pena que este poeta tenha amado tanto, mesmo estando na incerteza de ter sido amado. De um lado, só, muitos amores o foram, e se foram.

Lembro-me das coisas que eu fiz, das que procrastinei. Mas feliz estou das minhas decisões, não seriam tão belas hoje se não as tivesse feito. Por elas guardo muito respeito.

"One day, some day, you'll miss me.
One day when I'm gone.
Adieu and so long."
Ok Go

8 de dezembro de 2009

Irracionalmente triste...

É interessante saber que se tem um defeito, e não conseguir fazer nada para corrigi-lo. E eu tenho um defeito: sofro antes da hora.

Sei que não devia. Sei que o certo é esperar pra ver o que vai acontecer. Sei que a resposta só vem depois da pergunta. Mas mesmo assim, meu coração aperta. Cinqüenta por cento de chance ainda é pouco para que eu me sinta seguro.

E isso me deixa triste: a incerteza.

Por isso eu me fiz aquela promessa, a três anos atrás. A três anos não escrevo um poema. A três anos eu tento mandar no meu coração. A três anos eu sofro para evitar sofrer.

Mas o ditado está correto. Não dá pra mandar no coração. Não dá pra usar a razão, pelo menos não para sempre.

Corri três anos para longe desse sentimento tão bonito e tão doloroso, e mesmo assim ele me alcançou. Mesmo assim ele está agora presente dentro de mim, contra a minha vontade, contra a minha razão.

Sofro por antecedência. Me entristeço pela incerteza da resposta a uma pergunta que ainda não fiz, mas que está presa na minha garganta. Sinto o que todos os poetas da história sentiram, ou queriam sentir, e odeio isso.

O pior de tudo é que eu escrevi aqui. Você vai ler. Ela vai ler. Se vocês sabem, eu queria saber.

14 de setembro de 2009

Sentidos soníferos...

Sonho.

Porque um dia eu sei que você foi real. E acredito que nada vai me impedir de acordar no final, quando pudermos então sermos iguais.

Vejo.

Muito mais do que meus olhos conseguem me dizer. Sinto sua essência me tomando por completo enquanto passas pelo meu corpo.

Ouço.

Passos ecoam em minha mente, desritmadas como as batidas do meu coração. E o eco me confunde e se confunde em meio aos sons da minha confusão.

Sei.

Que tudo isso não passa de uma ilusão. Meros devaneios de um pobre cristão, quem ainda tem fé em encontrar a verdadeira paixão.

...

18 de agosto de 2009

Sem razão...

Como estás, Verão, que não vejo mais? Disto de ti muito tempo, por isso quis te escrever. Sei que não deveria, que deveria ter alguma certeza a respeito do teu retorno, mas não tenho.

Escondido do azul do céu eu estou. Longe da tua luz, frio sem teu calor. Gostaria que estivesses aqui, pra escutar o que eu tenho a dizer, pra falar o que andas a ver. Outras coisas são desnecessárias, não importam, mas o teu brilho, os teus sons, os teus abraços me confortam.

Apesar disso, tenho encontrado alguns frios cristais, alguns preciosos rubis, algumas belas maçãs que as outras estações me oferecem sempre que o trem da vida para por elas.

Sei que precisa de tempo pra voltar, sei também que talvez possa não voltar. Mas isso não me tira o direito de esperar por ti. De falar a ti, mesmo sem razão.

Até.

28 de março de 2009

Quem...

Quem és tu que não conheço mais? Quem és tu que olha pra trás esperando que a vida volte a ser o que não é mais? Quem és tu que a tanto tempo te calou esperando que o silêncio te trouxesse paz? Quem tu és para dizer tanto através de inaudíveis sons? Que te expressa tão bem ao soar consecutivos tons.

Não sabes calar-te, nem o espera que seja. Não sabes forçar-te, nem que assim o desejas. Não te cabes decidir quem tu és, mas sim conhecer aonde andam os teus pés. Não te fales mal a ti mesmo, e saibas que não estás a esmo.

Mostra-te, sejas tu quem és, porque isso é o que te fará feliz, isto ao teu ser condiz. Não desejes a tristeza dos outros, invejando sacrificados louros. Crie a ti para ti, pois tu és diferente dos que te rodeiam, tua essência brilha em meio aos dos que te sombreiam.

Tu és quem tu és, não te envergonhes disso.

24 de janeiro de 2009

Carta de Despedida ao Verão

Querido Verão,

Antes de mais nada, gostaria de te agradecer. Obrigado pelo teu calor. Obrigado pelo teu carinho. Obrigado por me fazer sentir de um jeito que, se não nunca, há muito tempo não tinha me sentido. Principalmente, obrigado por me dar o abraço mais caloroso que um dia pude querer.

Desculpe-me se me portei de maneira errada, sei que faço isso com frequência. Mas saiba que se o fui não tive a intenção de ser. Apenas quis aproveitar ao máximo o meu tempo contigo. Espero que entendas isso como eu acho que já entendeste.

Sei que partirás logo. Não sei como será quando não estiveres aqui, não sei como será quando voltares. Apenas queria, antes que estejas tão longe para poderes ouvir, expressar o quanto foi valioso os momentos que me proporcionaste.

Um grande abraço,
Ray

7 de março de 2008

Rebobinar...

Eu ainda lembro do que não vivi. Lembro, relembro, e sinto saudades do que ainda não senti. Queria que tudo voltasse a ser como eu sei que não se passou por mim.

Como aquela música que toca na minha vitrola, nos discos empoeirados que outrora estavam aos cuidados da minha mãe. Canções que me tocam toda vez que as toco, letras que me encantam nas vozes de quem as cantam.

Queria minha vida de volta como era uma radio-novela, sendo contada por fabulosos artistas, com os quais não existiam erros, transformavam-os em adaptações, pois não haviam edições. Quero viver minha vida ao vivo.

Que eu a faça uma escultura! Com todas as perfeições e defeitos que eu não consigo mostrar.

Que eu grite: AÇÃO! E dela surja uma aquarela, com todas as cores que eu possa pintar.

E enfim, parar. Tirar fotos de cada ângulo que eu consiga, juntá-las e lembrá-las quadro a quadro, como um filme mudo no silêncio da minha mente. Em preto e branco, como são os meus sonhos.

Que o meu futuro seja exatamente como eu lembro.

12 de outubro de 2007

Sorriste...

Quando eu te vi, tu sorriste pra mim.

Meu coração parou, um longo silêncio se fez meu ser, irritante, obstante, distante, de ti. Não sei por que isso me tocou tão profundamente, em minha mente, que mente me dizendo que sabe o porquê. E mesmo não sabendo, não quero saber. Que honra há em destruir tal momento com apenas pensamentos a seu respeito?

Sorriste pra mim quando eu te vi.

Não falaste nada, não falei nada. Nada tínhamos para nos falarmos. Apenas nossos olhares se encontraram com o único propósito de fazer surgir aquele belo fenômeno, ainda pouco conhecido entre nós, que nos envolveu no véu do seu brilho celestial.

Vi-te sorrindo para mim.

Sorri de volta? Não lembro. Já não mandava mais em mim. Assim, se sorri não senti. E se não sorri, deveria, então teria retribuído aquele lindo gesto que me passava tantos sentimentos e eu não soube reconhecer nenhum.

Sorriste pra mim, eu vi.

Uma pena que tenha sorrido para a pior pessoa possível. Terrível pesar devo ter feito-te passar. Não deverias ter sorrido para alguém tão estúpido que ficou inerte pelo resto da noite. Apenas vendo o teu sorriso partir.

Mas prometa-me uma coisa: não deixarás de sorrir.

21 de setembro de 2007

Um sonho...

Um dia eu tive um sonho. Sonhei que era feliz, reconhecido, e tinha dinheiro, não muito, apenas o suficiente para não dever a ninguém. Estava cercado de amigos, com os quais eu me divertia. Como era boa aquela sensação.

Quando menos esperei eu acordei. Percebi que aquilo era um sonho, não era real.Mas eu percebi também que não era tudo ilusão. Eu era feliz, tinha amigos.

Assim, vi algo ainda mais importante: aquele sonho podia virar realidade. Trabalho duro pra isso desde então.



Ray dorme acordado.
Ray acorda dormindo.

22 de agosto de 2007

Ali estava...

Talvez seja por falta do que fazer. Ou ainda de coragem para procurar o que fazer. Mas estava lá. Sabia apenas que era para estar onde no momento se encontrava. Nada o tinha dito, nem afirmando ou negando, apenas sabia. Sabia tanto que não hesitou em permanecer lá. O lugar era aquele, o momento que era incerto. E na certeza da incerteza, esperou.

Melhor sentar, talvez demorasse. Quem sabe já não passou ou ainda nunca chegue. O lugar era aquele. Aqueles sons, aquelas cores refletidas em cada um daqueles objetos, sendo alguns estupidamente expostos e outros inteligentemente. Cada uma daquelas informações era preciosa. Não sabia por que, mas se era pra estar lá, lá estava.

E demorou. O boné já estava baixo, os braços cruzados em proteção ao vento e ventas suspeitas, os olhos fechados, a respiração devagar. Nada mais pensava, ou talvez pensava mas não sabia. Confortado estava por saber que estava lá, esperando o incerto momento certo.

E lá ainda espera.

27 de abril de 2007

Novas Divagações...

Mais uma vez volta a escrever. Perdera a vontade e o jeito para isso, talvez pela longa abstinência que, forçadamente, submeteu-se.

Triste? Sem dúvidas. Mas não demonstrava para as pessoas ao redor o quanto sofria por não ter produzido mais nenhum texto decente. Dessa vez não foi diferente. Também não podia culpar-se, não tinha inspiração nem tempo livre. A faculdade o sugava todas as energias.

Ergue a cabeça e observa seus colegas e amigos resolvendo exercícios enquanto para ele o tempo não pára. Não tenta mais se encaixar a detalhes como tempo e espaço. Sua única preocupação agora é escrever.

Mais uma vez volta a escrever. Triste. Por não conseguir se encaixar.


Ray está triste?
Que piada!

16 de fevereiro de 2007

Perdido...

Encontramos aquele jovem mais uma vez. Parece confuso. Olha de um lado pro outro ainda tentando entender aonde se encontra perdido. Não dormiu direito nas últimas noites, seus olhos ainda teimam em fechar e sua boca ainda teima em abrir, seja esta pra mostrar cansaço, seja pra mostrar estupidez.

Ainda confuso, procura por um rosto conhecido que possa ajudá-lo. Em vão. Todas as faces que encontra apenas têm estampadas expressões de pena e acusação, e até mesmo perseguição. Ele não entende o que fez para que todos o vejam assim.

Ele, então, pára de tentar compreender o que está acontecendo. Resolve aceitar o que Deus está lhe oferecendo sem mais perguntas. Essas lhe parecem inúteis agora. Talvez mais tarde ele saiba onde, como e por quê de estar ali.

O ônibus chega. Ele pega seu caderno e volta pra casa.

Ray queria escrever algo engraçado aqui.
Perdão.

15 de setembro de 2006

Diálogo mental...

- Odeio rotina...
- Eu também. E por acaso nós acabamos caindo em uma das grandes.
- Isso é o que dá deixar o outro lá do peito cuidar das coisas sem nos consultar.
- Mas eu ainda acho que foi o melhor para o garoto.
- Talvez seja melhor eu me responsabilizar de agora em diante.
- Pode ser. Eu acho que o certo seria nós três cuidarmos dele.
- Ah! Boas lembranças eu tenho daquele tempo em que era assim. Os três conversando, discutindo... bons tempos...
- Que devem voltar!!!
- Mas você não acha que é um pouco tarde, não?
- Na verdade, não.
- Entom tá bom. Vamos chamar o lá do peito e ver se ele concorda.
- Ele vai concordar. Eu sei ser convincente quando preciso.
- Que seja... só me preocupo por uma coisa agora...
- O quê seria?
- Não vai ter mais aquela partida de Poker.
- Ah não! Nada mais de jogos... por enquanto não, pelo menos...

1 de setembro de 2006

Aqueles versos...

Estava lá, parado, pensando em como estava ou deveria estar quando avistou aqueles versos. A quanto tempo não os via? Sua memória lhe indicava algo em torno de seis meses atrás mas ao seu ver parecia que fora escrito dez anos à frente. Nunca tinha notado o quão alta era a sua profundidade.

Versos, hoje, pareciam-lhe estranhos. Não poderiam ter sido escritos de tal forma por alguém de idade tão reduzida, ou talvez podiam. Tamanha pureza o transmitiu que quase chorava sozinho sobre a agenda que guardava aquelas palavras. Somente ele ali sabia o que significavam. Somente ele podia ver tal beleza.

Talvez pelo fato da responsabilidade daquele poema estar consigo. Ele se arrependia de ter esquecido sua obra que viria a ser tão preciosa após todo aquele tempo que se passou. No silêncio ele guardou-os no coração mais uma vez e com a promessa de que nunca mais os esqueceria. Pelo resto do dia, eles ficaram ecoando em sua mente o inspirando a produzir mais e mais...

Como é bom poder escrever!
Correr o lápis pelo papel
E ver ali surgindo
Um pedaço do que se é.

18 de agosto de 2006

Tocando em Frente

Descansa. Estava cansado de ter que correr de tudo e de todos que o atropelariam se tivessem a chance. Em sua mente não parava de escutar aquela bela música que trazia nos primeiros versos as palavras 'Ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso porque já chorei demais'. Isso o tocava no coração toda vez que escutava.

A quanto tempo vinha sofrendo perdas e privações? Já não conseguia mais contar de tamanha dor que sentia e que ficou guardada para nunca mais ser esquecida. Tal como uma lápide indicando onde jazia o falecido passado. E hoje se encotra defronte a uma nova era, um novo momento em sua vida que não poderia ser atrapalhado por forças que não mais deveriam atuar.

Começou a seguir a filosofia que o encantava naquela música. Decidiu 'conhecer as manhas e as manhãs, o sabor das massas e das maçãs'. Talvez essa decisão tenha sido feita a muito tempo mas ele se esquecera em algum momento em meio àquelas provações. Percebeu que isso o faria dar valor ao que tinha conquistado até então e às conquistas que virão com e de sua força.

Os próximos meses serão decisivos para todas as áreas da sua vida, desde a financeira até a amorosa, da pública à privada, e ele está ciente disso. Cabe a ele escolher se quer subir a um outro nível ou continuar onde se encontra por mais algum tempo.

Ray está feliz atualmente.
Ray, infelizmente, não é atual.

4 de agosto de 2006

A jornada...

Olhou para trás. Quantas coisas deixara agora e só restava aquele tortuoso, porém suntuoso, caminho à frente debaixo de um céu instável que parecia engolir o horizonte, para onde a trilha se destinava.

Examinou onde se encontrava no momento. Apenas esse caminho parecia estar certo. Não por ser mais fácil ou mais difícil, mas por começar exatamente ali. As estradas que podia-se ver ou começaram um pouco mais atrás ou ainda tinha-se que andar muito para chegar ao seu começo. Sendo assim, ajeitou o que tinha e partiu.

Não precisou andar muito para ser alcançado por uma tormenta. Cada gota que caía parecia uma faca no rosto, como pedras nas costas, vidro nos pés. Ainda assim acreditava que a nuvem passaria tal como qualquer outra. Por mais que estivesse certo, a chuva demorou muito tempo para se extinguir e quando finalmente se foi olhou o caminho pelo qual passara e percebeu que estava tão preocupado agüentando a tempestade que nem percebeu o quanto andou. Já não conseguia avistar mais o início.

Mirou novamente à frente e se deparou com a seguinte inscrição numa placa: 'Maioridade, um ano(-luz) à frente.'

Ray completa 17 anos hoje.
Ray parece mais novo a cada dia.

25 de junho de 2006

Bem-vindo devolta...

Faz tempo que não aparecida. Finalmente retornou à vista de todos, pode-se realmente vê-lo. Aquele reflexo que passa tantos sentimentos em apenas um instante, que todos gostariam de conhecer. E ele está de volta. O mais intrigante é que nada na vida daquele jovem que o carrega mudou desde a última vez, exceto o próprio.

Mudança. Não o mundo ou as circunstâncias que o cercam, mas ele. Sem ser forçado por ninguém, apenas a si mesmo cai a responsabilidade das transformações que se passaram.

Paz. Percebe-se fortemente do jovem esse sentimento. Aliás, a Paz sempre esteve ao seu lado e hoje, após todo esse tempo, ela brilha com toda a intensidade.

E nesse quadro encontra-se uma obra-prima da criação de Deus. Ele estava lá, imperceptível, intocável, apenas esperando o dia em que podesse aparecer na sua melhor forma sem se preocupar com nada que alguém venha a pensar que ele significa. Talvez seja a melhor hora pra ele surgir e brilhar para o mundo.

Sem falsidade, sem ser chamado por ninguém, apenas para ser aquilo pelo quê foi criado. São momentos com você que torna a Vida essa agradável aventura dia após dia. É por isso que hoje esse texto é sobre você. Seja bem-vindo mais uma vez, Sorriso!

25 de abril de 2006

Antes de dormir...

Deitado em sua cama, preparando-se para dormir, ele começara a pensar sobre a vida como sempre tinha feito. Mas hoje um tema diferente veio a sua mente. Ao invés de pensar em suas possíveis pretendentes, no filme anarco-comunista que ele assistiu ou no que irá fazer quando passar no vestibular, ele se lembrou do que vira no espelho.

Tinha acabado de sair do banho e o vapor ainda encobria a visão do espelho. Levantou uma de suas mãos e tentou desobstruir o objeto. Espantou-se com o que vira através do marca de seus dedos que mais parecia com um arranhão que um leão ou outro animal selvagem tinha feito. Quem era aquela pessoa? Onde estaria aquela imagem de um menino alegre e sonhador que queria crescer logo pra poder ver-se no espelho que agora o mostrava tão diferente?

Ele estava ali mesmo, gritando através daqueles grandes olhos castanhos que assustadoramente olhava para ele no espelho. Gritava cada vez mais fraco, estava perdendo suas forças. Aquele que agora parecia um monstro o estava sufocando. Ele lutava para se manter vivo e algumas vezes conseguia se livrar e aparecer para o mundo, mas freqüentemente era segurado e calado pelo outro que surgia.

O jovem deitado em sua cama torcia: 'Vamos, lute! Você tem a força e permissão para ganhar essa batalha!' Enquanto um sussurro em sua mente respondia em prantos: 'Não consigo. Ele é muito forte e tem o terreno a seu favor.' Insistiu: 'Não quero saber. É você que eu quero junto comigo.'

Repentinamente o quadro se invertia. Ouviu-se um som forte, tal como uma explosão, seguido do que parecia ser algo rachando. Aquela pequena voz foi começando a crescer. Ela chegou aonde teria mais força, o coração, e a partir dali se alastrou tomando todo o corpo para si. Nada deixou para aquela monstruosidade.

O jovem sentiu apenas uma coisa durante o resto da noite: Paz. A guerra tinha terminado e o lado vencedor tomou posse do que conquistou. Aquela pequena criança foi salva por ela mesmo. O monstro não foi destruído, ele continuará esperando o momento em que ele pode ser útil na vida do jovem que agora sonhava como nunca mais tinha sonhado.

18 de março de 2006

Pensando em versos...

E lá está ele. Apenas olhando, olhando para aquela imagem que o encanta, o espanta e o força a ser uma pessoa que ele não é. E ele começa a pensar, imaginar e escrever. Sim, ele escreve versos que talvez nunca serão ouvidos por um papel. Este já não é essencial a ele. Ele escreve em sua mente.

Versos que falam de alegria e sofrimento. Falam de tristeza e superação. De ódio e paixão. Amor e lamento. Versos que não fariam parte de seu repertório e arquivo. Talvez por não ser de sua natureza escrever assim. Ele era apenas um escritor de versos tristes.

Sua Consciência o chama atenção: "Não faça isso! Se lembra o quê aconteceu nas outras vezes? Se essa história se repetir você pode não suportar!" Enquanto, insistentemente, seu Coração replica: "E daí?". A Razão, por sua vez prefere esperar, esperar pra ver se sua responsabilidade vai se dirigir a maus caminhos. Se isso acontecer ela estará pronta pra entrar em ação. Enquanto isso, os três continuam reunidos discutindo e às vezes rindo da infantilidade da situação.

Infantilidade. Essa palavra estava saindo do vocabulário daquele rapaz. Estava quase se achando capaz de se virar sozinho. Quase abandonara o ninho com esse pensamento. Pensamento que agora fora transformado em poeira graças àquela visão angelical que seus olhos encontraram.

Como uma pessoa pode mudar tanto assim? O que a faz jogar fora toda a sua sanidade quando ela acha que está no auge disso? Será que isso é bom, ou será ruim? O melhor é seguir a razão e apenas esperar.